quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

"A IMPLANTAÇÃO DOS PLANOS SALDADOS DA CAPAF"

Para desviar a atenção dos investidores menos avisados, informa ainda que abriu prazo para adesões ao Prev Amazônia, um novo plano que teve a sua implantação autorizada pela PREVIC desde 06/08/2010, há exatos dois anos e meio, tempo durante o qual utilizou o retardamento na implantação como “combustível” na política de incentivar o apartheid entre ativos e aposentados do Banco, iniciado na era Valladares e continuado nas eras Mâncio e Abdias.

2. Na segunda publicação intitulada PROJETO DE REESTRUTURAÇÃO DA CAPAF (me parece que foi uma divulgação interna corpore) apenas confirma o meu ponto de vista, já arguido em muitas outras postagens que assinei nas mídias sociais (O Mocorongo e Opinião-AEBA) ou seja: que por interesses gêmeos, BASA/CAPAF e PREVIC implantariam os planos saldados a qualquer custo e com qualquer número de aderentes por plano, indiferentes à longevidade que eles possam ter e, principalmente ao custo que demandará dos participantes. Assim é que, mesmo considerando o crescimento espúrio dos 52% citados no Relatório da Administração do BASA/2012 (O PRAZO DE ADESÃO, COFESSA o BANCO, SE ENCERROU EM 09/10/12), por conta do assédio impiedosamente imposto aos aposentados e pensionistas pelo setor de Atendimento da CAPAF (à frente o Sr. Edgar) sob o surdo consentimento do Interventor, verdade é que NINGUÉM SABE qual o percentual de adesões em cada um dos dois planos saldados. É factível supor que desses 52% de adesões, o total vinculado ao “Plano Misto de Benefícios Saldados” (destinado aos egressos do AMAZONVIDA) seja, na pior das hipóteses duas vezes o número de adesões ao “Plano Saldado de Benefício Definido” (o BD), tendo em vista o nível de rejeição de um e outro dos grupos aos citados planos saldados. Grosso modo, deveremos ter um “Plano Misto de Benefícios Saldados”, similar do Amazonvida com um total, mais generoso que seja, situado em torno de uma fração desconhecida daquelas adesões obtidas pelo Amazonvida a quando da sua implantação em 2001, algo que não chegou a 30% do do total de participantes da CAPAF. O número exato das adesões aos novos planos sandados é “segredo de estado” do BASA/CAPF & PREVIC, mantido a “sete chaves” para esconder dos aderentes a inevitável explosão do custo do plano, depois de fechado o 1º exercício civil, quando será definido o Plano de Custeio para o exercício seguinte e os percentuais de contribuição dos participantes, na forma do que dispõe a LC109/2001. Lembremo-nos ainda que ao assinarem o Termo de Adesão aos Planos Saldados, os aderentes deram ao Banco, uma “carta de alforria” em relação ao que lhe obriga a LC-109 (contribuir paritariamente na cobertura dos déficits técnicos dos planos da CAPAF). Em meio a cláusulas ardilosamente truncadas há expressamente aquela em que o ADERENTE SE RESPONSABILIZA PELOS DÉFICITS FUTUROS DA CAPAF, sem qualquer referência à solidariedade do BASA. Uma cláusula ululante diante das obrigações estatuídas pela LC-109/2001 aos participantes e patrocinadores diante dos déficits apurados nos Planos de Previdência Privada. A esse respeito, não esqueçamos que a lei transige diante dos acordos pacificamente firmados entre as partes envolvidas. Com base nesse princípio, o BASA está automaticamente isento da responsabilidade de contribuir paritariamente para a cobertura de déficits futuros nos planos da CAPAF. Quem viver verá.

De tudo, senhores, o mais importante é observar que, objetivamente, a implantação dos Planos Saldados nada tem a ver com o processo da AABA. São processos afins, contudo jamais conexos ou interdependentes. Cada um seguirá seus trâmites como seguiriam se demandados em épocas distintas e não coincidentes. A correlação que BASA/CAPAF & PREVIC (esta por trás dos panos) buscam estabelecer entre os dois processos tem o tolo condão de servir como instrumento de pavor aos menos avisados, sustentado nas insinuações dos seus vassalos (Bancário Sensato e similares) nas quais, sub-repticiamente, prega que a justiça brasileira seria jogo de cartas marcadas e que a Sentença que condenou o Banco ao pagamento dos benefícios dos participantes do BD (por serem eles compromissados no âmago da relação de trabalha firmado pelo BASA e seus empregados) não prosperará no TST e STF.

Sem prejuízo das minhas avaliações, não podemos perder o foco de que qualquer das decisões que os participantes do BD ou do Amazonvida da CAPAF tomem em relação aos planos saldados envolve riscos. Aos que aderirem aos planos saldados, a incerteza quanto aos custos que em futuro breve terão que pagar por um plano com baixíssimos números de adesões (veja-se que o “Plano Misto de Benefícios Saldados”, que certamente catalisou a maior fatia das adesões totais, agrega somente parte dos menos de 30% das adesões obtidas a quando da criação do Amazonvida, em 2001 - repito). Aos que, sendo do BD, não migrarem, a dependência dos julgamentos da ação da AEBA nas duas derradeiras instâncias às quais recorrerão BASA/CAPAF).

De resto senhores, entendo que as publicações promovidas pelo Abidias visam: A primeira, cumprir extemporaneamente a obrigação de comunicar ao mercado e aos acionistas do BASA um fato efetivamente relevante: a dilapidação do Patrimônio do Banco para cobrir responsabilidades de gestão não honradas e que o levaram a deixar de cumprir as suas obrigações inerentes a sua condição de patrocinador da CAPAF; A 2ª, deixar como legado pós “renuncia”, o derradeiro lance de pavor aos participantes do BD e AMAZONVIDA menos avisados.

Como entendo, repito: a implantação dos planos saldados nada tem a ver com o processo da AABA. Em qualquer tribunal, nenhum Juiz decidirá os recursos do BASA levando em conta senão o mérito da questão (sobejamente esgotados desde a 1ª Instância). Jamais o farão levando em conta que “o BASA e o Governo Federal ofereceram alternativas de salvação aos participantes do BD”, como espera o vassalo mor do BASA/CAPAF & PREVIC, aquele conhecido “Bancário Sensato”, o mesmo que ao flutuar do humor, também se assina como Esse Cara Sou Eu, João Almeida e outros codinomes mais).

Desculpem a prolixidade (tão abominada pelos puristas da linguagem escrita, pelos candidatos aos silogeus das letras ou simplesmente pelos preguiçosos), mas acho que em determinadas situações não há porque se poupar nem mesmo redundâncias úteis ao entendimento dos menos avisados. Aos que desistirem de ler o texto até o final, as minhas desculpas.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Os 23 mandamentos de uma velha descolada

11. Só masque chiclete na ausência de testemunhas. Não corra o risco de acharem que você já está ruminando ou falando sozinha.

12. Pense muitas vezes antes de se aposentar. Trabalhar tem muitas vantagens, além do dinheiro. A principal delas é para sua família: são seus colegas de trabalho que vão ter que lhe aguentar a maior parte do tempo.

13. Cuidado com a nostalgia e o otimismo. Velhas tristes são chatíssimas. Velhas alegres demais, mais ainda. Não se ofereça para ir a carnaval fora de época com seus sobrinhos. Fora de época, é você. Não tenha certeza de que vai ser uma companhia agradável em acampamentos, raves e shows de rock. Um ataque cardíaco pode acabar com a festa de todo mundo.

14. Se foi mística, esotérica ou engajada na juventude, controle-se. As pessoas lhe aguentavam quando os hormônios estavam a seu favor, agora elas podem querer realizar o desejo de matá-la que tinham no passado, para acabar com a tortura das suas pregações.

15. Leia muito. Ainda há tempo para gostar de aprender. Velhice pode trazer experiência, não sabedoria. Ter um livro sempre à mão também serve para o caso de sua surdez não permitir acompanhar a conversa. Todos vão adorar não ter que repetir aos gritos respostas a perguntas “sem noção”.

16. Tenha o máximo de cuidado com a higiene. Velha fedida é duro de aguentar. Ah, cheirando a perfume francês vencido, também.

17. Não acredite nas colegas otimistas que dizem que não tem nada demais em usar minissaias, fio dental, figurinos sadomasoquistas ou decotes
provocantes. Tem sim, eles provocam atentado à estética. E riso descontrolável, também.

18. Cuidado com a maquiagem. Já notou que velhas vão ficando parecidas com velhos e ambos com travestis? Maquiagem pesada só serve para reforçar o personagem.

19. Seja avó do seus netos, não mãe ou babá. Por isso nem pense em educá-los ou em comprometer seu tempo com as tarefas chatas de ir buscar na escola, festinhas, natação, inglês, etc.. Ser folguista de babá, nem pensar!!! Se a sua nora for chata, esta é a chance perfeita de sacaneá-la, deixando que ela faça sua obrigação de mãe. Não tenha remorso, por mais que você se esforce nunca vai conseguir sacaneá-la mais do que ela a você. Lembre-se de que agora seu filho deve obediência a ela e não mais a você.

20. Se alguém perguntar como vão seus netos, não precisa contar tuuuuuuuudo! Evite discorrer sobre sua (deles, óbvio!!) inteligência excepcional, beleza rara, fantásticas habilidades esportivas e genialidade com a tecnologia. Lamento informar que todos eles são iguais e assim, agora.

21. Não seja uma sogra chata, gratuitamente. Só se tiver um bom motivo. Lembre-se de como era a sua (ou as suas) e passe a limpo. Agora que você já sacou que não tem como mudar seu marido, cuidado para não apontar as armas para as noras e genros. Falar mal deste tipo de gente é deplorável. Se tiver genro, dê sempre razão a ele, se sua filha for um pé no saco. Lembre-se que, para implicar com ela, ele vai sempre lhe defender quando ela comentar como você é chata, controladora, antiquada, desinformada, espaçosa, blá, blá…

22. Seja machista. Ainda é tempo. Caímos no conto do feminismo e nos lascamos.

23. Nunca, nunca, nunca mesmo, visite seus filhos sem que seja convidada, pelo menos 3 VEZES!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

ELEGIA PARA O PARCEIRO EDWALDO CAMPOS

Na escola Externato “Santa Inês”, da Professora Sofia Imbiriba, onde estudamos, quando crianças, eras o “Picica”, o filho de D. Anita e do Dr. Ubirajara Bentes, conceituado advogado de Santarém e famoso colecionador de peças do artesanato tapajônico, boa parte adquirida pela Universidade do Estado de São Paulo (USP); e irmão do Ronaldo (ex-Prefeito Municipal de Santarém), Luís Otávio (falecido), Ana Delfina e Ubirajara Bentes Filho (advogado e atual Presidente da Subsecção da OAB, em Santarém).
Na juventude, quando idealizamos, ao lado de Paulo Roberto Rabelo, José Machado e Apolonildo Brito, o histórico 1º Festival da Música Popular do Baixo-Amazonas, eras o “Pangaré”, habilidoso poeta, autor da letra da canção “Corina”, vencedora do gênero “Música Jovem” (Prêmio Uirapuru de Ouro, medalha elaborada pelo artífice João Sena), com música de Renato Siqueira (“Castelo”), interpretada pelo “Joe” (Francisco José Lemos), com acompanhamento de “Os Hippies”, conjunto musical do Odilson Matos, do qual participava meu irmão José Agostinho da Fonseca Neto (Tinho), como tecladista e arranjador.
Era 19 de dezembro de 1970. Final do Festival, no Cine Olympia, em Santarém.
A apresentação foi transmita pela Rádio Rural, sob o comando de Osmar Simões. A decoração do ambiente estava a cargo do artista Laurimar Leal. A capa do convite para evento era ilustrada pelo talento da artesã Dica Frazão. No convite, a letra da música “O Canto do Uirapuru” (texto poético de José Wilson Malheiros da Fonseca; e música de minha autoria), um poema em forma de acróstico com as notas musicais; e da “Canção de Minha Saudade” (letra: Wilmar Fonseca; e música: Wilson Fonseca), adotada como Hino do Festival.
Havia, ainda, um admirável texto escrito pelo poeta Emir Bemerguy explicando a razão da escolha do uirapuru como símbolo do Festival. A Comissão Julgadora do Festival era integrado pelo Maestro Waldemar Henrique (Presidente), Isaac Dahan, Avelino do Vale, Maria Lúcia do Vale, Wilson Fonseca, Emir Bemerguy, Wilde Fonseca, Nélia Vasconcelos Dias, Sebastião Ferreira, Edenmar da Costa Machado, Vicente Fonseca e Cecília Simões.
Transcrevo trechos da entrevista que concedi à jornalista Lana, publicada em sua página literária denominada “Lana em Tom Maior”, na edição de 22/23 de março de 1970 do jornal “A Província do Pará” (Belém-PA), transcrito no “Meu Baú Mocorongo” (p. 749-755, volume 3), de Wilson Fonseca:
“… os objetivos principais do Festival são: a divulgação das músicas santarenas (principalmente as compostas por jovens) e, se possível, na Amazônia; o incentivo para que os compositores e poetas busquem fonte de inspiração em tema nossos.
Sou da opinião, Lana, que o compositor, o poeta, o pintor devem localizar-se no tempo e no espaço, hoje e aqui. Ora, acho que seria bem mais válido a gente explorar a realidade amazônica antes de procurar temas alheios, em outras fontes, estranhos à nossa própria. Dessa maneira, estamos sendo muito mais autênticos, mais originais. E a originalidade, suponho ser um ponto virtualmente positivo numa criação.
Portanto, valorizar o que é NOSSO. Buscar temas nossos, esse é o incentivo que nos esforçamos para dar aos compositores e autores santarenos e, por extensão, a todos os amazônidas conscientes do nosso rico potencial. A Amazônia precisa se impor no cenário artístico nacional”.
Meu saudoso pai (Wilson Fonseca – maestro Isoca) guardava em seus arquivos, em Santarém, gravações, em fitas magnéticas, da quase totalidade das músicas inscritas no Festival (245 composições). Se esse inestimável material ainda estiver em bom estado, bem que poderia ser aproveitado para a gravação de um CD, oportunamente.
Eis a letra da canção “Corina”:
CORINA
Letra: Edwaldo Campos
Música: Renato Siqueira
Corina, menina,
Dos olhos verdes, sem iguais.
Corina, menina,
Tua beleza é demais… demais!…
É mais que um mar de esperança
É uma eterna aliança
De dois desiguais
És do sonho a ventura,
Do amor a procura
E de tudo isso és mais.
Você é Corina, meu amor,
Minha rima, minha flor
E de tudo muito mais e mais…
Corina, menina,
Dos olhos verdes sem iguais.
Corina menina,
Tua beleza é demais!…
Corina é uma fada
Ao meu lado sentada,
Fazendo me perder
Em sua beleza amada.
Sim, amada por mim
De um amor sem fim
Oh! Corina meu amor
Te quero sempre assim, assim…
Corina, menina,
Dos olhos verdes sem iguais
Corina menina,
Tua beleza é demais, demais!…
Antes de dezembro, em março daquele mesmo ano, tu escrevias o poema “Venha”, para o qual eu fiz a música, no dia 13 de junho de 1970 (Dia de Santo Antônio – que coincidência, pois o teu segundo prenome é Antônio).
Até então era a nossa única parceria musical.
Mas a partir de 2012 começaste e me enviar diversos poemas de tua lavra para que pudéssemos prosseguir na parceria. De lá para cá fizemos juntos uma dezena de canções. Teus inspirados poemas elaborados em Santarém e minhas músicas compostas em Belém.
Fiz um levantamento de nossa parceria, que incluo nesta elegia:
1. VENHA (Canto e Piano) – Toada-canção
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, março de 1970)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 13.06.1970)
Arranjo: Belém-PA, 20.01.2008 e 14.04.2012
2. TOADA DA PIRACAIA (Canto e Piano; e Canto, Quinteto de Sopros, Percussão e Piano) – Batuque, Carimbó, Sairé
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, 2012)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 15.04.2012)
3. CADÊ MARIA? (Canto e Piano; e Canto, Quinteto de Sopros, Percussão e Piano) – Maxixe e Sairé
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, 2012)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 15.08.2012)
4. LÁBIOS (Canto e Piano) – Tango
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, 2012)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 11.12.2012 – “Dia do Tango”)
5. SEDUÇÃO (Canto e Piano) – Marambirê
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 06.01.2013)
6. MATÁ-MATÁ E OS FANTASMAS DO MERCADO MUNICIPAL (Canto e Piano; e Canto, Quinteto de Metais, Percussão e Piano) – Marcha-rancho
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 07.01.2013)
7. ROMPENDO COM AS MESMICES (Canto e Piano; e Canto, Sexteto de Sopros, Percussão e Piano) – Maxixe
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, 2012)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 20.01.2013)
8. TEMA DO MUIRAQUITÃ (Canto e Piano) – Samba-Sairé
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, 2013)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 30.01.2013)
9. LUA CHEIA (Canto, Flauta, Clarinete, Violoncelo e Piano) – Canção
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, 2013)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 31.01.2013)
10. MARIAZINHA (Canto e Piano; ; e Canto, Sexteto de Sopros, Percussão e Piano) – Samba
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, 2013)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 04.02.2013)
Escolhi para algumas de nossas parcerias os gêneros musicais bem brasileiros e amazônicos (canção, batuque, carimbó, sairé, marambirê, samba), até porque os temas de teus poemas sugerem a valorização da nossa cultura.
Lembro-me de que a letra de “Matá-Matá e os Fantasmas do Mercado Municipal” refere-se a personalidades muito típicas de Santarém de outrora. Por isso, optei por compor uma marcha-rancho, a fim de lembrar os velhos carnavais de nossa infância e juventude… E como são cinco os “fantasmas” do antigo Mercado Municipal, idealizado pelo poeta, fiz um arranjo para Quinteto de Metais (1º trompete, 2º trompete, trompa, trombone e tuba), que bem poderia ser tocado por essas cinco figuras que marcaram época na nossa “Pérola do Tapajós”, naqueles anos tão saudosos: “Matá-Matá”, “Sololoia”, “Pé de Fuxico”, “Jaú” e velho “Olaia”… O canto, o piano e a percussão ficam por conta de quem mais desejar entrar nesse cordão carnavalesco… Tudo isso é mais do que fantasia… É história de uma época…
Eis a letra da marcha-rancho:
MATÁ-MATÁ E OS FANTASMAS DO MERCADO MUNICIPAL
(Marcha-rancho)
Letra: Edwaldo Campos (Santarém-PA, 2013)
Música: Vicente Fonseca (Belém-PA, 07.01.2013)
Matá-Matá…
A Sololoia deu-te um beijo
Pé de Fuxico sem receio
Chamou o Jaú pra te acordar
Levanta
Que o antigo Mercado
De novo surgiu
E o velho Olaia
Está apontando
Com seu dedo maior
A garrafa de cana
Que ele abriu
Vai, vai sem medo
Que o passado é um enfeite,
Mera decoração…
E as visões são esteiras,
Realidade momesca,
Faço o meu carnaval…
Fantasia e vou deitar…
(E as visões são esteiras,
Realidade momesca,
Faço o meu carnaval…
Fantasia e vou deitar…)
Diversos amigos, ao receberem os arquivos da obra musical, enviaram comentários muito interessantes, como os escritos pelos advogados Carlos Mendonça e Célio Simões, todos enaltecendo a tua sensibilidade de poeta:
Estimado Desembargador Vicente
Suas crônicas lítero-musicais chegaram as minhas vizinhanças. Minhas recordações pessoais. Acompanhei a corrida de moleques infernizando o bem-aventurado MATÁ-MATÁ (pobre de espírito) que com seu vago olhar passava. Parecia ver a todos nós, porém, nada esperar nem pedir a ninguém. Seu aspecto era o do completo abandono, consigo mesmo. Roupas andrajosas, fisionomia larga, em que parecia que as partes subcutâneas realçavam sobre o revestimento de pele. Só na aparência, como se fosse possível. Falava e ouvia. Com quem, particularmente, nem sei. Se alimentava, pois era enorme. Vivia no Mercado de Santarém e vizinhanças, ao lado do Castelo, do qual se tornou um dos fantasmas.
A Sololoia tinha vida tão desorganizada quanto à dele. Seu vestido seboso e encardido, como ela, a balançar de um lado para o outro, em volta de seu copo. Seus cabelos cacheados, porém, desgrenhados, até abaixo dos ombros. Tipo da mulher sofrida, como o MATÁ-MATÁ. De tão pouca coisa precisavam para aquela vida que levavam, que nada lhes faltava. Nem o calçado, pois caminhavam descalços. Como muita gente naquela época.
O Zé Olaia era um tipo diferente. Dono do que seria um pequeno restaurante, ou lanchonete, cobertura de pano, saindo da parte posterior do mesmo Mercado Municipal. Especialidade era bifes com ovos fritos e arroz etc. Seu dedo duro, (qual seria?), completava sua personalidade, como o Lula. Asseado, roupas limpas, integrado à sociedade, porém do lado de lá do seu balcão. Na saída do Cinema Olímpia, pelas 22 ou 23 horas, seu restô era ponto de encontro dos jovens da sociedade “mocoronga”. Como eu era jovem, via essas coisas de longe, mais do que delas participava. Meus irmãos mais velhos, sim.
Muito justo que também tenha se transformado num dos fantasmas. Quanto aos outros dois, francamente, não me lembro, Talvez sejam mais jovens, do tempo em que eu já estava em Belém.
Vicente! Santarém espera que você desenvolva esse tema, com figurantes, com vídeos. A Música é o veículo de possibilidades ilimitadas. Porém os personagens devem ser reais, digitais?
Carlos Mendonça
Caro parceiro Vicente,
Uma das marcas mais acentuadas das cidades pequenas são seus tipos populares. Ficam para toda a vida, pois nos causam na infância ou na juventude profunda impressão espiritual. Esta homenagem (marcha-rancho) tua e do Edwaldo Campos de Souza resgata a memória dos que anonimamente viveram e permaneceriam no anonimato não fosse a sensibilidade de pessoas como vocês. Para isto servem os poetas e os músicos, que com seu talento, contribuem para a convalescença da alma.
Em Santarém, além do Matá-Matá, lembro bem do Caixa d’Água (e suas cicatrizes corporais), do irreverente Babico (que entrevistava todo mundo munido de uma muratinga à guisa de microfone), do Argemiro (que furtivamente comia as galinhas dos despachos na encruzilhada…) e do repentista Pojó, que para um estudante do Dom Amando que tentava escapar do aguaceiro protegendo o material escolar sob a blusa da farda, na hora sentenciou:
“…eu corro pela linha
sem o pé titubear;
você tá escondendo os livros,
para a chuva não molhar!!!
Genial para uma pessoa de parcos estudos, concorda? Merecida, portanto, essa homenagem pela qual parabenizo os nobres amigos da Terra Querida.
Abs.
Célio Simões.
A jornalista e advogada Franssinete Florenzano comentou que algumas figuras de Santarém são dignas de um romance do Gabriel García Márquez!…
Com todos esses comentários eu fiz uma viagem no tempo. Creio que tais preciosidades merecem alguma divulgação para conhecimento da “história” não escrita, invisível ou não oficial de Santarém.
Morri de ri do “repente” do Pojó e das presepadas do Argemiro…
Conheci o velho Babico, pai do homônimo. O pai trabalhava com meu avô Vicente Malheiros, na Loja “Malheiros”.
O “Caixa D’Água” era uma lenda. Contava que um pajé lhe disse que ele só morreria depois que sua mãe morresse. Acho que isso aconteceu… Ele tinha umas quarenta ou mais cicatrizes e fazia questão de mostrar a qualquer pessoa, com muito orgulho… Grande sujeito. Bom papo… Êta! tempo bom!…
Tudo isso daria para fazer uma ópera ou um filme, mais do que uma música.
O Carnaval deste ano será mais triste, caro amigo e poeta…
Mas aí estão os fantasmas do Mercado Municipal, que frequentei tantas vezes em companhia do “velho” Isoca, para as compras matinais e vespertinas… Que delícia aquele peixe fresquinho (hoje, quase só se come congelado).
Para completar as considerações, sugeri que o próprio Edwaldo registrasse informações sobre o “Pé de Fuxico” e o “Jaú”. Em 15 de janeiro de 2013, o poeta me enviou a seguinte mensagem, plena de humor e sabedoria:
Caro amigo Vicente
Fiquei hoje muito feliz com a musica que fizestes para Matá-Matá.
Muito obrigado!
Isso me deixa muito envaidecido li também diálogos teu com Célio, Dr. Carlos Mendonça e Franssinete, muito proveitosos. Como Célio declinou sobre o grande mestre Pojó, estou te encaminhando um texto [“SENHORES ENGOLIDORES DE SILABAS, DE PALAVRAS, DE FRASES E DE IMPROPÉRIOS – CUIDAI-VOS!”] que enaltece as faculdades mediúnicas do mesmo, pedindo favor para que o repasses. O prato principal do Seu Oláia era culhão completo, diga isso ao Dr. Carlos, que era servido com chouriço, dois ovos fritos, arroz, macarrão e farinha à vontade.
(…)
Um forte abraço do seu amigo, Edwaldo Campos.
Por coincidência, a música do tango “Lábios” foi composta no “Dia do Tango” (11.12.2012).
Três dias depois, eu entregava a partitura musical dessa composição para o casal Carlos Sarmento e Cris Sarmento, que se apresentava na cerimônia de minha posse no Instituto Histórico e Geográfico do Pará, dançando o bolero “Um Poema de Amor” (Wilson Fonseca), quando também era lançado, em Belém, no Auditório do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, o meu livro “A Vida e a Obra de Wilson Fonseca (Maestro Isoca)”, cujo exemplar te ofereci, com especial dedicatória.
Caro parceiro Edwaldo, ao receberes a partitura musical de nossa parceria “Rompendo com as Mesmices”, me remeteste, em 27 de janeiro de 2013, um e-mail, o último de tua lavra a mim dirigido, com o seguinte teor:
Caríssimo Vicente:
Com a biografia do teu pai, penso estar preparado o seu KIT à posteridade, para apreciação dos musicólogos do mundo, onde “haverá sempre um espaço privilegiado para sua obra”…, tal como preconiza o maestro Julio Medaglia, pag. 41.
Portanto, obrigado por nos ter brindado com esse riquíssimo pasto musical variado, com vida, amor, história de gente, de família, de ternura, de parceiros e amigos, a ter como cenário principal a nossa mais que cantada Santarém.
Ainda com o glamour do teu livro, onde também involuntariamente te revelas (e que revelações!…), aproveito esse teu cio musical, para mandar três textos: Mariazinha, Muiraquitã e Lua Cheia, para teres em teu arquivo e musicá-los quanto tiveres tempo disponível.
Li com muita alegria teu e-mail, noticiando a tua roupagem musical ao texto Rompendo com as Mesmices. Muito obrigado
Um abraço fraterno a ti e aos teus.
Como estou em gozo de férias do TRT, passei a compor, imediatamente, mais três peças (em 30 e 31 de janeiro e 04 de fevereiro), as mais recentes da nossa parceria musical, sobre os poemas que havias me encaminhado: “Tema do Muiraquitã”, “Lua Cheia” e “Mariazinha”.
Te remeti, por e-mail, todas essas composições musicais. Mas não sei se recebestes estas três últimas criações de nossa parceria.
E por falar em muiraquitã e sairé… hoje pela manhã tive conhecimento, com enorme surpresa e tristeza, de teu falecimento… em Alter do Chão…
Nem sei mais o que dizer, querido parceiro…
Só sei que perde a nossa Academia de Letras e Artes de Santarém por não poder contar dentre os seus membros com o teu talento.
Que Santarém perde um de seus poetas mais inspirados.
Que teus amigos e admiradores ficamos mais órfãos.
Na entrevista que concedeste ao jornalista Jeso Carneiro, publicada em seu Blog, em 16 de dezembro de 2012, sob o título “No raso com… Edwaldo Campos”, cometeste um exagero pela generosidade de tua alma bondosa e em razão de nossa amizade:
Com quem gostaria de fazer um poema: Com qualquer um dos nossos poetas mocorongos, exímios contadores literários das nossas coisas boas e ruins. Em especial com o meu parceiro, Vicente José Malheiros da Fonseca, que além de escritor, de tudo o mais, poucos o sabem, também é um talentoso poeta.
Confira:
http://www.jesocarneiro.com.br/perfil/no-raso-com-edwaldo-campos.html#.URUdlR0meSo
Fico, então, te devendo uma parceria no poema que sonhaste.
Em contato telefônico com teu irmão Dr. Ubirajara Bentes Filho, ainda há pouco, eu soube que deixaste escrito mais dois poemas com um bilhete a mim destinado, com o pedido para eu musicá-los. Fiquei muito emocionado com a distinção, caro amigo e parceiro. Vou aguardar os textos poéticos que teu irmão ficou de me enviar, rogando a Deus que me ilumine para permitir compor mais essas duas obras musicais. E agora que tu já estás no plano espiritual, não te esquece de dar uma forcinha aí de cima para que a inspiração não me falte. Prometo caprichar e compor à altura dos teus belos poemas.
Em tua homenagem, eis aqui os textos poéticos de nossas três mais recentes parcerias musicais:
TEMA DO MUIRAQUITÃ
(Samba – Sairé)
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, 2013)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 30.01.2013)
De jade esverdeado
Buraquinho no pescoço
Carrego meu amuleto
Tô nem aí pra tempestades.
Porque no Tapajós, rãs, rãs, rãs,
Somos todos, todos nós, Muiraquitãs.
Tenho o corpo fechado
Contra mandingas e contra despachos
Tenho a mulher que eu quero
Sou rei, mando no meu castelo.
Porque no Tapajós, rãs, rãs, rãs,
Somos todos, todos nós, Muiraquitãs.
Somos ricos proprietários
Dessas terras todas,
Desses meus dois rios,
Dos balangandãs.
Somos Tupaiús de poemas e canções
Somos todos nós, somos Muiraquitãs.
Tenho o corpo fechado
Contra mandingas e contra despachos
Tenho a mulher que eu quero
Sou rei, mando no meu castelo.
Porque no Tapajós, rãs, rãs, rãs,
Somos todos, todos nós, Muiraquitãs
(Somos todos, todos nós, Muiraquitãs).
LUA CHEIA
(Canção)
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, 2013)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 31.01.2013)
O pensamento
Me leva à minha terra
Ó lua cheia!
Que bons momentos
Ai! Que saudades
Daquelas noites
Num toque de magia
Sentimento e poesia…
Amor declarado serenata
Que bons momentos
Aqueles de lá
Na madrugada sensual e boêmia
Os cálidos rios, fiéis namorados,
E os acordes de violões apaixonados
Inspirando Santarém e seus poemas
A lua cheia
Ai! Que saudades
Que bons momentos
Aqueles de lá.
MARIAZINHA
(Samba)
Letra: Edwaldo Antônio Campos de Souza (Santarém-PA, 2013)
Música: Vicente José Malheiros da Fonseca (Belém-PA, 04.02.2013)
I
Nada de Margarida
Nada de Lucíola
Maria é Maria…
Mariazinha só dela
Maria sempre nova
Maria sempre bela
Maria é Maria
Nenhuma Camélia.
II
Maria é Dama
Maria é só ela
Maria tem a cor
Do “Drinque Madri”
Podereis só vê-la
De noite, de dia…
Maria é Maria,
Nenhuma Lucíola…
Maria é Maria
Mariazinha, só dela.
(Repete a 1ª Parte)
Quase todas as músicas de nossas parcerias, aliás inéditas, estão disponíveis (em execução simulada por computador), neste link:
Lá também está a nossa primeira parceria (“Venha”), composta naqueles saudosos tempos de juventude (1970). Parece que foi ontem… Confira:
Se eu estivesse em Santarém, iria tocar essa música na tua Missa de corpo presente, na Igreja de N. S. Aparecida, neste sábado de saudade.
Nossas condolências à tua família.
Descansa em paz, amigo, poeta e parceiro Edwaldo Campos!